Economia

Produção industrial em Cabo Verde acelera 11,7% no segundo trimestre impulsionada pela indústria alimentar e vestuário

Leumas Andrade

Crescimento expressivo na indústria nacional

A produção industrial em Cabo Verde registou um crescimento homólogo de 11,7% durante o segundo trimestre de 2026, de acordo com os Indicadores de Curto Prazo na Indústria publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). O desempenho consolida uma trajetória de aceleração no setor secundário do arquipélago, comparando positivamente não só com o período homólogo de 2025, mas também com os primeiros três meses do ano, período em que a atividade industrial havia crescido 9,2%.

Os dados oficiais mostram que o dinamismo foi transversal a vários subsetores produtivos, com destaque particular para a indústria extrativa e para ramos específicos da transformação, apontando para uma reação positiva do tecido produtivo nacional num contexto económico global desafiante.

Setor transformador e extrativo lideram ganhos

A análise detalhada dos dados do INE revela que a indústria extrativa apresentou a variação homóloga mais expressiva, alcançando um crescimento de 38,3%. No entanto, devido ao seu peso estrutural na economia cabo-verdiana, foi o comportamento da indústria transformadora — que cresceu 14% em termos homólogos — a impulsionar de forma mais consistente o resultado global.

  • Indústria alimentar: Registou um aumento de produção de 24,5%.
  • Indústria do vestuário: Evidenciou um crescimento expressivo de 31,8%.
  • Indústria extrativa: Liderou o crescimento relativo com uma subida de 38,3%.
  • Setor energético e águas: A produção de eletricidade, gás, vapor e água quente e fria cresceu 8,7%, enquanto a captação, tratamento e distribuição de água registou uma alta de 9,4%.

Em sentido contrários, nem todos os ramos apresentaram trajetórias positivas. A produção de calçado, por exemplo, recuou 14,6% no mesmo período em análise.

Contraste com o volume de negócios e impactos no emprego

Apesar da forte aceleração registada na vertente puramente produtiva, a evolução do volume de negócios revelou-se consideravelmente mais moderada. O respetivo índice global estagnou praticamente, registando uma subida homóloga de apenas 0,2%. Enquanto a indústria extrativa viu o seu volume de negócios disparar 82,6% e o vestuário avançar 74,3%, outros setores enfrentaram quebras, como foi o caso da eletricidade e gás, cujo volume de negócios recuou 10%.

A nível social e laboral, o relatório do INE aponta para reflexos positivos no mercado de trabalho associados a esta dinâmica industrial:

  • O emprego na indústria cresceu 4,1% em termos homólogos.
  • O número total de horas trabalhadas registou um acréscimo de 2,6%.

Perspetivas e o debate sobre a industrialização

Estes dados surgem numa altura em que o tecido empresarial e as associações económicas do país debatem com urgência a necessidade de acelerar a industrialização para reduzir a dependência externa de importações. Recentemente, a Câmara de Comércio de Sotavento (CCS) sublinhou a importância de apostar em pequenas e médias indústrias capazes de responder tanto ao mercado interno como às exigências de competitividade regional.

Com o mercado de trabalho a apresentar sinais de recuperação e a produção física em alta, os próximos meses serão determinantes para avaliar de que forma o setor industrial conseguirá traduzir o volume de produção em ganhos efetivos de volume de negócios e sustentabilidade financeira para as empresas cabo-verdianas.

Perguntas frequentes

Qual foi o crescimento da produção industrial em Cabo Verde no segundo trimestre de 2026?

A produção industrial registou um crescimento homólogo de 11,7% no segundo trimestre de 2026, segundo os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Quais foram os setores que mais se destacaram no crescimento?

A indústria extrativa liderou o crescimento relativo com 38,3%, seguida pela indústria do vestuário (31,8%) e pela indústria alimentar (24,5%). O subsetor da captação e distribuição de água cresceu 9,4%.

O aumento da produção refletiu-se no volume de negócios e no emprego?

Sim, o emprego na indústria cresceu 4,1% em termos homólogos e as horas trabalhadas aumentaram 2,6%. Contudo, o volume de negócios global apresentou uma evolução muito moderada, fixando-se num crescimento de apenas 0,2%.

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