Leumas Andrade

A evolução recente dos mercados internacionais de energia continua a exercer forte pressão sobre as economias importadoras líquidas, colocando em evidência o impacto direto da volatilidade do crude nas tabelas de preços regulados. Em Cabo Verde, onde o executivo e a Agência Reguladora Multissetorial da Economia (ARME) acompanham de perto os cabazes de referência, o comportamento do petróleo tipo Brent e dos produtos refinados nas praças internacionais aponta de forma clara para um agravamento dos custos no consumidor final a partir do próximo mês de novembro de 2026.
Nas últimas semanas, as cotações do Brent têm oscilado num patamar elevado, rondando a faixa entre os 104 e os 106 dólares por barril. Esta sustentação em níveis historicamente altos resulta da persistência de tensões geopolíticas no Médio Oriente, que continuam a afetar rotas críticas de transporte marítimo e a perturbar o normal abastecimento global de crude. Em simultâneo, relatórios recentes da Agência Internacional de Energia (AIE) alertam para restrições severas na oferta de gasóleo e produtos destilados médios a nível mundial, com os preços grossistas a atingirem máximos acentuados em vários centros de referência internacional.
No mercado interno cabo-verdiano, a tabela em vigor durante o mês de outubro de 2026 já refletiu um incremento médio expressivo de 10,70% nos preços máximos dos combustíveis, com a gasolina a atingir os 197,20 escudos por litro e o gasóleo normal a fixar-se nos 190,30 escudos por litro, enquanto o gás butano beneficiou de um mecanismo excecional de mitigação gubernamental que limitou a repercussão integral da subida para os consumidores. Contudo, tendo em conta que o mecanismo ordinário de fixação regulreguladora da ARME reflete de forma automática a média das cotações do mês anterior e a variação cambial, a permanência do crude em patamares elevados invalida, para já, perspetivas de alívio na generalidade dos derivados.
Combustíveis em Cabo Verde no próximo mês
Veredicto: SUBIR
Probabilidade: 85%
Base: A cotação média do petróleo Brent permanece firmemente acima dos 104 dólares por barril em outubro, impulsionada por disrupções logísticas globais e escassez estrutural de refinados (nomeadamente gasóleo), o que se traduz inevitavelmente em subidas nas fórmulas de cálculo paramétrico aplicadas pela ARME para a revisão de novembro de 2026.
Associações de defesa dos consumidores, como a ADECO, têm reiterado apelos para que o Estado utilize eventuais folgas fiscais e receitas adicionais de IVA para amortecer o impacto social e económico nas famílias e em setores vitais como os transportes públicos e a produção de eletricidade. Apesar destas reivindicações de medidas extraordinárias de estabilização, a estrutura de custos de importação de combustíveis gerida pelas operadoras locais (como Enacol e Vivo Energy) permanece diretamente dependente dos valores praticados nos mercados globais, antecipando novos encargos para os condutores e para a cadeia logística inter-ilhas.
Perguntas frequentes
Os combustíveis vão subir ou descer em novembro de 2026?
A probabilidade de os combustíveis subirem em Cabo Verde no mês de novembro de 2026 é de 85%, sustentada pela manutenção de cotações elevadas do petróleo Brent e dos produtos refinados nos mercados internacionais.
Como são determinados os preços máximos dos combustíveis em Cabo Verde?
Os preços são atualizados mensalmente pela Agência Reguladora Multissetorial da Economia (ARME), tendo por base a evolução média das cotações internacionais dos produtos petrolíferos (referências Platts) e a variação cambial do escudo face ao dólar durante o mês anterior.
O preço do gás de cozinha também é afetado por estas variações?
Sim, embora o Governo tenha recorrido a mecanismos excecionais de mitigação e apoio temporário para limitar o impacto do aumento no gás butano de uso doméstico, protegendo parcialmente o poder de compra das famílias.
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