Leumas Andrade
Um novo impulso para o cinema em Cabo Verde

Na passada quinta-feira, 22 de outubro de 2026, o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde anunciou oficialmente a composição da nova curadoria para o Festival Internacional de Cinema (FIC). Esta decisão marca um passo decisivo na estratégia do Governo para consolidar o arquipélago como um polo de referência cultural na Macaronésia e no Atlântico Médio.
A nomeação, que ocorre num momento em que a indústria audiovisual cabo-verdiana procura maior internacionalização, traz nomes reconhecidos tanto do panorama nacional como da diáspora. O objetivo é claro: elevar a qualidade das produções apresentadas e atrair realizadores de renome mundial, fomentando um intercâmbio técnico e artístico que beneficie os cineastas locais.
Os pilares da nova estratégia cultural
A nova equipa de curadoria terá como missão principal descentralizar a oferta cultural e garantir que o cinema chegue a todas as ilhas, não se limitando apenas aos centros urbanos da Praia e do Mindelo. Segundo o comunicado oficial emitido pelo gabinete do Ministro da Cultura, esta estratégia assenta em três pilares fundamentais:
- Qualificação Técnica: Promoção de workshops e masterclasses durante o festival, permitindo que jovens cineastas cabo-verdianos aprendam com especialistas internacionais.
- Internacionalização: Estabelecimento de parcerias com festivais congéneres em Portugal, Brasil e países da CEDEAO, facilitando a circulação de obras nacionais.
- Sustentabilidade Económica: Criação de mecanismos que incentivem o investimento privado no setor cultural, reduzindo a dependência exclusiva de fundos estatais.
Impacto na economia criativa
Para além da vertente artística, a dinamização do Festival Internacional de Cinema tem um impacto direto na economia. O setor das indústrias criativas em Cabo Verde tem demonstrado uma resiliência notável, contribuindo de forma crescente para o Produto Interno Bruto (PIB) nacional. A aposta em eventos de dimensão internacional atrai turismo cultural, movimenta o setor hoteleiro e gera postos de trabalho diretos e indiretos, desde a logística até à produção técnica.
Contexto regional e desafios
Cabo Verde enfrenta, contudo, desafios significativos no que toca à infraestrutura de exibição cinematográfica. A curadoria recém-empossada reconheceu, em declarações preliminares, que um dos grandes obstáculos é a obsolescência de algumas salas de cinema existentes e a necessidade de atualizar os sistemas de projeção para padrões digitais modernos. A solução passará por uma articulação estreita entre o setor público e o privado, buscando financiamentos que permitam a reabilitação de espaços culturais históricos.
A nível regional, o país posiciona-se como uma ponte entre a África e a Europa. A capacidade de atrair coproduções internacionais é vista como a chave para que Cabo Verde deixe de ser apenas um cenário de filmagens exóticas e passe a ser um coprodutor ativo de narrativas audiovisuais com identidade própria.
O que se segue
Os próximos meses serão cruciais para a definição do programa da próxima edição do festival, prevista para o primeiro trimestre de 2027. Espera-se que, até ao final do ano, a equipa de curadores apresente o novo regulamento de submissão de filmes, que deverá privilegiar obras que explorem a lusofonia, a diáspora e a temática da identidade insular. O setor cultural cabo-verdiano aguarda com expectativa os primeiros resultados desta nova gestão, que promete ser mais inclusiva e focada na projeção externa da imagem do país.
Perguntas frequentes
Quem são os novos responsáveis pelo Festival Internacional de Cinema?
O Ministério da Cultura anunciou uma equipa composta por especialistas nacionais e da diáspora, cujos nomes detalhados constam na lista publicada oficialmente esta semana pelo portal do Governo.
Quando se realizará a próxima edição do festival?
A próxima edição está prevista para o primeiro trimestre de 2027, sendo que o programa detalhado deverá ser anunciado nos próximos meses.
Como é que esta nomeação beneficia os cineastas locais?
A nova curadoria tem como objetivo promover masterclasses e facilitar parcerias internacionais, permitindo que os cineastas cabo-verdianos tenham acesso a formação técnica e a novos canais de distribuição para as suas obras.
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